quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Sonho ou Realidade?

Durante vários momentos das nossas vidas, passamos por situações em que sentimentos nos consomem. 

Pensamentos que não saem da cabeça, não te deixam dormir, criando sempre perguntas sem resposta e imagens na memória a fim de encontrar uma maneira de acabar com alguma situação ruim ou algum problema.

As imagens e situações criadas na mente muitas das vezes são a melhor válvula de escape para os problemas do cotidiano e algumas vezes nos trazem tanto conforto que praticamente passamos a viver delas.

Em alguns casos, isso é tão frequente que passa a ser a realidade da pessoa e sua vida real passa a ser o fardo que a ela tem que passar para finalmente voltar a viver.

Imaginação, sonho, desejo, utopia, vários nomes podem definir este estado prazeroso e momentâneo de criar um mundo à sua maneira. É tão fácil remover os bloqueios que nos impedem de viver isso na realidade que, sem percebermos podemos ter uma vida resumida a isso.

Todos nós temos o nosso mundo da fantasia, que na maioria dos casos é criado justamente quando planejamos nosso futuro.

Quando planejamos o nosso futuro, a primeira coisa que pensamos é o final da jornada e a partir daí vamos retrocedendo os passos para ver como alcançá-lo. Neste momento criamos em nossa mente muitas situações e, como de uma forma mecânica, unimos com outros pensamentos, fantasias e experiências das nossas vidas, mostrando que mesmo que viéssemos a criar uma imaginação para o desejo, este estaria ligado a outras fases da sua vida.

Agora analisando, pergunto: Se criamos fantasias para tudo que almejamos e interligamos com outras fantasias e experiências a fim de criar nosso mundo perfeito, essa prática não se iniciou logo que nascemos? 
E se isso já vem sendo feito desde o início, fica uma dúvida ainda maior: Será essa mesmo a nossa realidade?

Eu sei que é um pensamento complexo, mas observando cada detalhe podemos chegar a conclusão que, parte do que acreditamos ser realidade nada mais é do que a experiência obtida ao viver cada fato das nossas vidas somado às nossas impressões. Se interpretarmos de forma diferente, podemos criar com isso outra realidade, ou seja, a realidade é o fato somado à nossa impressão pessoal. Por isso que algo que é bom para uns pode ser ruim para outros.

O problema disso está no controle. Se não tomarmos cuidado, podemos passar a viver um sonho ao invés da realidade e com isso, a sensação ao acordar não será nada boa.
Sonhar é bom demais, mas devemos lembrar que o sonho é o primeiro passo para a felicidade e não o último.


Créditos da imagem: Is a Spinning Top a Good Reality Check for a Lucid Dream? - by Connor Barela, Colorado, USA

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Não sou como a maioria


Muitas vezes já fui taxado de diferente, anormal, ovelha negra e muito mais simplesmente por não ter os mesmos gostos que a maioria das pessoas ao redor.

É como se fosse necessário para viver em grupo, que nós tivéssemos os mesmos gostos e costumes.
Durante um bom tempo da minha vida pensei assim. Fazia coisas que não estava muito afim, ia a lugares que não era do meu interesse e tentava apreciar o que a maioria apreciava.

Sabe aquele pagodão, aquele funk nervoso, aquela micareta que todo mundo tenta te arrastar, aquela boate que todos dançam e se pegam até de manhã?! Pois é, eu tentei. Tentei e não me via ali, mas o medo de ficar sozinho me pressionava em continuar. Queria ser visto como uma pessoa boa, como um cara legal e pensava que fazendo isso, faria parte do grupo. No entanto, mesmo fazendo isso, minha personalidade era mais forte e eu nunca conseguia realmente fazer parte daquilo.

Com o tempo, fui me entendendo. Eu realmente era diferente daquilo ali. Não curtia aquilo. Queria ter amigos, queria ter um grupo, mas não queria mais me submeter a isso.
Na dificuldade de encontrar, aprendi a conviver comigo mesmo e com o tempo, o que era medo virou algo agradável. Ficar sozinho hoje para mim não é uma coisa ruim. Hoje consigo me manter em pé e seguir em frente por mim mesmo e isso é ótimo porque não ficar sozinho agora vai ser uma questão de escolha e não de necessidade, como é para a maioria.

Aprendi a enxergar o que as pessoas são realmente e não gostar simplesmente quando ela tem uma imagem boa.
Hoje eu considero ser diferente da maioria um privilégio, porque me faz entender realmente como as pessoas são e o que realmente eu quero ser.

Se não tem ninguém que me entenda, nada melhor do que sentar na frente de um computador, ou mesmo pegar um caderno velho, beber um vinho e jogar os pensamentos para fora, sem me preocupar com críticas ou sugestões, uma vez que quem vai julgar sou eu mesmo.

Esse pensamento me fez enxergar no meio da maioria, pessoas incríveis que eram ofuscadas. Pessoas ótimas, com mente aberta, que adoram um diálogo racional, atual, o que me anima sempre. Lembro-me da Adriana Calcanhotto citar em seu DVD que ela gostava de lavar louça e que havia visto uma entrevista do Caetano Veloso dizendo o mesmo e que isso a fez se sentir melhor porque não estava sozinha no mundo. De fato, a sensação de não estar sozinho no mundo é sempre reconfortante.

Claro que isso pode trazer alguns problemas. Comigo, por exemplo, tenho uma dificuldade muito grande de expor tudo o que penso e sinto. Me fecho para o mundo muitas vezes, mas mesmo entendendo que isso pode me prejudicar, ainda sim vejo como algo positivo.

Hoje vou aos eventos que gosto, mesmo que sozinho. Shows, barzinho ou até mesmo ir a uma livraria são coisas que a maioria sente a necessidade de ter alguém do lado, mas eu não. O gosto de ser independente é indescritível.


Essa lição me mostrou que não preciso depender de alguém para fazer algo. É claro que gosto de amigos. Valorizo muito os amigos que tenho e quero ter cada vez mais, mas para isso eles terão de gostar de mim pelo que eu sou e não pelo que pareço ser.

Créditos da imagem: When In Doubt… Be Different - Mark

terça-feira, 9 de setembro de 2014

O que as mulheres querem?

Vira e mexe, encontro textos de mulheres falando (e reclamando) sobre o tipo certo de homem, o homem ideal. Observo que na maioria das vezes são tantos os atributos desejados que parece que elas querem um animal de estimação no formato de homem.

Podem procurar. Várias citações como:
"Quero um homem que seja sincero, fiel, amigo, companheiro, bonito, rico, responsável, sério, brincalhão, alto, romântico, apaixonado, que saiba cozinhar, arrumar casa, seja forte, sensível, educado e seja um príncipe encantado.

Não vou dizer aqui que nenhum homem pode ter essas características, mas sim que mesmo que ele apresentasse um currículo com tudo isso, ainda sim seria imperfeito. O fato de ninguém ser perfeito eu nem vou considerar, mas não vai adiantar tentarem encontrar em outro a solução, uma vez que o problema não são os homens, mas sim elas mesmas.

Na maioria das vezes essas mesmas mulheres tiveram um lance ou relacionamento com alguém que não deu certo, seja por ser imaturo, canalha ou não ser a pessoa certa e, diante dessa frustração, passaram a atirar contra todos. Devido ao trauma, ao medo e a insegurança criados com isso, querem se blindar e acham que encontrando alguém com todas essas características vão resolver isso. Sinto dizer, mas isso não vai acontecer. Realmente homens não são santos, mas daí a querer que nos transformemos em um robô é algo que só vai existir nos sonhos.

O que realmente tem de ser feito é passar por cima. Esse tipo de pensamento somente causa bloqueios, impedindo de ter novas experiências, conhecer outras pessoas, olhar mais ao redor.
O mundo e tudo o que tem nele está aí para todos. Por isso não dá pra parar e ficar "esperando o cara certo". A pessoa certa pode já está na sua vida e você ainda não viu. Já pensou nisso?

Busquem alguém que vocês gostem, mas que gostem de vocês também. Acabem de vez com esse conto de fadas. É necessário arriscar, viver, conhecer, buscar e entender que ninguém vai te atender 100%, mas pelo menos alguém poderá suprir suas necessidades, sejam elas carinho, atenção, companhia, sexo, paixão ou o que for. Uma dica para facilitar é a afinidade. Gostos semelhantes, hobbies em comum, personalidade, tudo isso pode e deve ser considerado em conta na hora de tentar. 

Arrisque!


Se não der, não deu. Vida que segue, mas cada pessoa que passa na sua vida deixa algo de bom: A experiência. E só uma última dica: Ao contrário do que muita gente pensa, as mulheres mais experientes são as mais chamam a atenção.


segunda-feira, 8 de setembro de 2014

A situação de Conformado

"Não tem o que fazer, a não ser aceitar." Foi a conclusão que Conformado teve.

Sua vida era relativamente boa. Comum, com as mesmas características, vontades, problemas e tudo o que tem direito.
Mas havia algo que sempre o incomodava. Havia horas que Conformado conseguia ignorar isso, mas havia outras que não conseguia parar de pensar.
Buscou todas as brechas possíveis na tentativa de encontrar algum sinal de que era possível resolver, porém sem sucesso.

Na medida em que o tempo passava, Conformado foi desanimando. Algumas situações até que o faziam continuar na esperança da possibilidade, mas o tempo sempre acabava com isso.
Vivia sua vida normalmente, guardando tudo para si. Na dificuldade de encontrar alguém para confiar seus desabafos, dúvidas, aflições e sonhos, achava que não tinha ninguém melhor do que ele mesmo.

Para os outros sempre se mostrou o mesmo. Tentava não passar nada adiante. No entanto, as consequências de se guardar tanta coisa se refletiam em seu comportamento. Estresse, aflição e angústia se tornaram normais no seu dia a dia. A sua saúde refletiu a necessidade de parar de guardar tanta coisa para si, mas Conformado, não conseguindo ver a solução, se manteve no mesmo.

Buscava algo paliativo que pudesse amenizar as consequências disso. Hora resolvia e hora a vontade de falar era demais. O Problema é que sempre, todos os dias, algo o fazia pensar no mesmo e o mesmo pensamento vinha a sua mente: "Não tem o que fazer, a não ser aceitar."

Na vontade de agir corretamente, acabava sempre se colocando por último. Cansava de falar que a felicidade dele era ver a felicidade dos próximos, porém havia sempre um pingo de verdade lá no fundo que mostrava a Conformado que não era bem assim.

Essas situações são comuns, porém as soluções não são nada fáceis. Conformado sabendo disso, na tentativa de acertar, escolheu o mais difícil. A fim de sempre ver todos bem, se sacrificou.

O problema disso é que todas as escolhas tem consequências. Sua vida relativamente boa, com as mesmas características das demais continua da mesma forma. Aquele pingo de verdade que todo dia arruma uma forma de falar para Conformado o que Conformado realmente quer continua lá.

"Não tem o que fazer, a não ser aceitar." Conformado continuou falando para si.


Conformado sabe que o que o perturba é o fato de ele realmente não está sendo ele mesmo, de não está fazendo o que ele quer. Ele e somente ele pode realmente fazer algo para mudar isso, mas enquanto ele não encontrar os sinais que procura, enquanto ele não ter a certeza do que fazer e entender o que realmente quer, não tem o que fazer, a não ser aceitar.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Encarando os problemas com equilíbrio

Em vários momentos olhamos para tudo em volta da nossa vida e não conseguimos ver o que realmente nos deixa satisfeitos.

Os fatos ocorridos durante o dia impactam diretamente em suas decisões a respeito disso. Não é atoa que quando estamos estressados nada parece bom.

Eu, por exemplo, quando me encontro dessa forma, muitas das vezes prefiro me isolar de tudo e ficar quieto no meu canto porque se eu começar a falar vou reclamar de tudo. As outras vezes, claro, reclamo de tudo.

Normal, seres imperfeitos em uma busca contínua pela felicidade. Somos cobrados e nos cobramos demais para isso. Nos exigimos tanto que, em muitos casos, não conseguimos nem dar conta do básico. Bate aquela vontade de sumir, se isolar, apagar a memória e começar tudo de novo.

O problema é que não estamos em Matrix (pelo menos eu acho que não), logo não há como fugir dessa situação. Temos duas escolhas: Continuar assim até que mude ou tentar enxergar algo de positivo e encarar seus dias de uma melhor forma.

Qual a escolha certa? Eu digo: As duas. Sim, as duas.
Não vou ser hipócrita aqui de falar que hoje eu enxergo como viver, agora sei o que é certo e blablablá. Vão ter dias que nem Cristo vai me tirar o mau humor, porém haverá dias que vou poder escolher.

Ultimamente tenho tentado escolher encarar da melhor forma. Estou parando de pensar nas coisas que me remoem por dentro e que sei que eu não vou conseguir mudar, pelo menos por enquanto, e estou me esforçando para manter meus pensamentos nas coisas boas da minha vida, seja do passado, presente ou futuro. Fato importante é que o que está na sua mente é que vai direcionar suas ações e conclusões.

É claro que vira e mexe me pego pensando nos problemas, no que me deixa mal. Não sumiu, ainda está lá me incomodando. A diferença é que eu estou tentando agora não dar tanta atenção a isso como dava antes. Quando me vejo assim, trato de ler, escrever e colocar aquela música que me lembra de algo bom. Uma bebida de vez em quando ajuda. :-)

Está sendo bom o resultado. Pelo menos eu estou tentando olhar para o que eu tenho hoje que me faz feliz com mais frequência e tem dado certo. Sei que não é definitivo, sei que os problemas e o que me incomoda vão continuar até tudo se resolver, mas hoje percebo que há uma forma melhor de passar por esses períodos e não somente encarar tudo sempre da pior forma.

Agora, tudo tem seu limite. Se você não está se aguentando, esbraveje, reclame e que se dane quem não gostar. Isso faz bem também. No entanto, tudo em exagero faz mal, por isso, se você puder controlar isso dessa ou de outra forma que lhe agrade, faça.


Tudo deve ter a sua devida dose, pois é esse equilíbrio é o que nos mantém em pé.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

A vida e seu vai e vem

A vida e seu vai e vem

Mostrando que ninguém é melhor que ninguém
Fazendo você valorizar tudo o que você realmente tem
Te testando sempre a fim de te fazer enxergar
Ensinando que nem tudo foi feito para durar

A vida e seu vai e vem

Não adianta tentar se manter no ar
Mais cedo ou mais tarde você vai desabar
Não pense que isso só acontece com você
Apenas é uma forma de fazer você entender

A vida e seu vai e vem

Fazendo umas pessoas ficarem interessantes
E outras ficarem cada vez mais distantes
Criando dias que um simples detalhe lhe faz aparecer
E outros que nem holofotes fazem alguém lhe ver

 A vida e seu vai e vem

Hoje você é a foco
Amanhã todos lhe esquecem
Semana que vem você volta
Mês que vem desaparece

 A vida e seu vai e vem

Te dizendo para não se preocupar
Pois ela é a única que você não deve ignorar
Ela nunca vai ignorar você
A não ser que você desista de viver


Créditos da imagem: Sehrish Khan - Uncertainty of Life 

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

A escolha de Sonhador


Seis horas da manhã.
Sem pregar os olhos devido a ansiedade, Sonhador mal pode esperar para botar o pé na estrada.
Cansado de tanta coisa ruim que lhe havia acontecido, só pensava que essa seria sua despedida dos amigos. Havia decidido ir embora daquele lugar o que o  fez sofrer tanto. Ir embora parecia para ele a última tentativa para não desistir da vida.
Conversava com seu amigo a respeito disso e seu amigo mesmo lhe propôs essa viagem.

"Vamos espairecer, vamos viajar e esquecer tudo isso. Lá você não vai se preocupar com nada e vamos só curtir. Praia, cachoeira e música todos os dias." Dizia seu amigo, na tentativa de animá-lo.

Era carnaval e era também a oportunidade de fazer novos amigos, conhecer novos lugares. Apesar do desânimo ininterrupto, sempre gostou da ideia de conhecer outras pessoas. Entraram no carro e partiram. Sonhador e seus três amigos.
Ao chegar, Sonhador se depara com um lugar parecido com uma cidade de novela. Pequeno, porém bonito. O contato com a natureza lhe anima. 
Depois do café, vão para a rua conhecer a cidade e a praia. A esta altura, Sonhador estava mais animado. Somente o fato de estar longe dos problemas, já o fazia ser uma pessoa melhor. Bateram um papo, caminharam pela areia e, enquanto os outros planejavam as pegações de carnaval, Sonhador se via depois de muito tempo com a mente livre, animado com o que poderia fazer nesses dias. Estava animado também com as outras pessoas que também viriam para a mesma casa, com a esperança de formar um bom grupo.
As outras pessoas lhe foram apresentadas e, como já era esperado, todos se mostraram de forma bem positiva e animada. Com o pensamento de curtição unânime, o grupo saiu para sua primeira noite.

Chegando à praia, quiosques lotados, carro de som, trios elétricos. Tudo o que poderia ter um carnaval animado. Sonhador se viu em um dilema. Sempre foi retraído, calado, fechado. Ele tinha duas escolhas: Permanecer do mesmo jeito que é sempre ou esquecer tudo e aproveitar aquilo tudo da melhor forma.
Com certo receio e um nervosismo criado pela timidez, Sonhador decide viver. Foi para o meio do grupo, dançou, bebeu, brincou e todos o estranharam.

"Cara, você tem que ser assim todos os dias, não só aqui! Esse tem que ser você!" Disse seu amigo, entusiasmado.

De fato, fazia tempo Sonhador não se sentia tão bem quanto naquele momento. A noite ia acabando e Sonhador cansado de tanto dançar, senta próximo ao palco. Neste momento, alguém lhe chama. 

"Tenho uma amiga que quer lhe conhecer." Disse a menina.

Não podia ter dado em outra coisa. Se espanta com a beleza dela e não pensa duas vezes. O único que não havia planejado nada acaba terminando a noite um uma linda garota.

Pela manhã, sem acreditar em como essa mudança foi tão positiva, passou a agir assim todos os outros dias. Aquele que era retraído não parava de cantar, dançar e chamar o grupo para a rua. Praia, cachoeira, night eram programas certos. Ele finalmente se deu conta que estava vivendo o sonho que tanto queria: Viver.

Ao final do carnaval, sem acreditar em o quão feliz foi durante esses dias, Sonhador voltou para casa com outro pensamento sobre a vida e os problemas.
Ele havia compreendido que felicidade é uma escolha. As vezes ela pode ser difícil, as vezes podem ter muitos impedimentos, mas essa escolha só depende de nós mesmos.

Sonhador, pela primeira vez na vida, escolheu ser feliz.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

O vício de Apaixonado


O celular vibrou no bolso. Olha rápido e é mais uma mensagem do grupo de amigos.
-"Partiu night?" Era tudo o que ele queria. Marcou a hora, escolheu a roupa, conferiu a grana para ver se não teria problemas e foi se arrumar.

Fazia seis meses que Apaixonado acabara com seu relacionamento de três anos. De vez em quando se pegava olhando para o nada, lembrando dos tempos em que estava namorando. Lembra que a conheceu assim, em uma noite, apresentada por amigos e depois de pouca conversa, parecia que tinham sido feitos um para o outro. Só que no final, não deu mais certo. Por que não continuou? Por que não era como antes? 

Depois do quarto relacionamento duradouro concluiu que nunca mais iria se relacionar seriamente.
Não queria mais pensar nisso. Não sabia o motivo e não queria saber.
Mudando completamente o que estava pensando, Apaixonado tinha expectativas de encontrar novamente aquela garota com quem não pode conversar por muito tempo, mas que lhe havia chamado muita atenção.

Chagando no barzinho, uma música ao vivo e um clima leve pairava. Apaixonado olhou para um lado, para outro. Com um ar de desapontamento concluiu que ela não estava lá. - "Tudo bem. A noite continua, não tenho nada com ninguém mesmo" Pensou.

Ouvia a música, dava boas gargalhadas com as piadas dos amigos, umas goladas no drink, mas virava e mexia se pegava pensando nela."Vou ao banheiro" - Fala aos amigos para deixá-los despreocupados. Quando retorna, olha surpreso e feliz. Ela acabara de chegar. Tenta se aproximar discretamente e, quando ela o vê, lhe direciona um sorriso que faz com que ele não pense em mais nada.
Como consequência, claro, os dois passam a noite próximos. A esta altura, fica claro para ele que ela também está afim. "Mas por que não consigo brechas pra ficar com ela?" - Se questiona.

A noite vai chegando ao fim e Apaixonado não conseguiu o que queria. Ela foi embora, deixando para trás um ar de amizade e só amizade.
Fica um tanto desapontado, mas curiosamente aquilo só fez com que ela ficasse na cabeça dele de vez. “Será que ela está se fazendo de difícil? Não pode ser. Não com esse jeito.” Passa a se questionar.

Voltando para casa, abrindo a carteira para pegar o dinheiro do taxi, repara que ainda tem um rascunho da primeira carta que escreveu para sua ex. Com ar de graça e saudade superada a pega para ler, pois mal se lembrava do que havia dito.

"Não sei direito qual foi o momento que ocorreu, mas depois dos nossos encontros, das nossas conversas, não consigo mais parar de pensar em você. Mal posso esperar quando sei que vou lhe encontrar e quero que passemos a nos encontrar todos os dias." Dizia a carta entre rabiscos e garranchos.

Surpreso, se impressiona com a semelhança. A sensação o faz resgatar as lembranças passadas, os relacionamentos passados. Fica pensando durante todo o percurso até chegar em casa tentando lembrar de cada detalhe dos seus relacionamentos e a medida que vai se lembrando, tudo vai ficando cada vez mais claro.
A história se repetia e era algo que Apaixonado simplesmente não podia controlar. Ele mais uma vez não conseguia tirar a garota da cabeça.

Em casa, sentado em sua cama, olhando para a janela, as sensações de medo, insegurança, adrenalina e gosto de quero mais se misturam e Apaixonado se dá conta:

Ele era viciado em se apaixonar.

Créditos da imagem: Karinna Karsten

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Um dia na vida de Prisioneiro

Toca o despertador. Rápido, pula da cama desesperado, seguindo os passos que lembra que tem de dar para estar pronto para o trabalho. Não pode se esquecer de nenhum, embora muitas das vezes venha a esquecer.

Mais um dia se inicia na vida de Prisioneiro. Com a ara amassada, sem acreditar que a hora de levantar já chegou, tem como os primeiros pensamentos do dia, vários xingamentos à sua condição.
Despois do banho rápido segue sua receita de bolo matinal e parte para mais um dia de trabalho.
No caminho já vai imaginando os estresses que o aguarda para este dia, recorda os de ontem e se dá conta que amanhã terá mais.

Só de saber o quanto tem a fazer e o quanto está insatisfeito, já chega desanimado.
Tira alguns minutos do café para ler as notícias e para fantasiar o que gostaria de estar fazendo naquele momento.

Desde estar ainda dormindo a estar em uma viagem ao redor do mundo. Tudo isso em 15 minutos.
O dia começa e Prisioneiro mal consegue se concentrar. Aquele que um dia foi muito elogiado por seu empenho hoje é visto como somente mais um.
Alguns cliques no computador, 5 idas ao banheiro e 3 para beber água somente para tentar manter a mente em um estado ocioso.

Chega a hora do almoço e Prisioneiro se sente um pouco melhor de não ter que fazer esforço em pensar. Relaxa a sua mente tanto que percebe que esqueceu os talheres. Levanta revoltado atribuindo isso também a essa rotina cansativa.
Os mesmos passos seguidos na parte da manhã se repetem na parte da tarde e, quando se dá conta, Prisioneiro chegou ao final de mais um dia.
Caminha em direção da saída pensando nas injustiças, frustrações e lamentações.

No caminho, recusa-se a continuar pensando nisso, passando a se imaginar chegando em casa, comendo, dormindo, ouvindo música, vendo aquele episódio repetido da série favorita na TV, tudo o que possa imaginar para lhe dar momentos de prazer, mas nada que possa fazer para melhorar a situação.
Só pensa que esse é o único momento que pode fazer algo que lhe dá prazer e não abre mão disso.
Quando se dá conta, já foi se deitar para reiniciar o ciclo.

Temos sempre de estar atento às nossas vidas e em todos os diferentes aspectos dela.
Muitas vezes colocamos a culpa em tudo quando o culpado disso tudo somos nós mesmos.
Problemas sempre existirão, mas cabe a nós decidirmos se vamos enfrentá-los da melhor forma ou se vamos nos tornar Prisioneiros deles.

Creditos da Imagem: "Under The Blue Door
Postagem: You will never be free until you free yourself from the prison of your own false thoughts.” Philip Arnold