quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Não sou como a maioria


Muitas vezes já fui taxado de diferente, anormal, ovelha negra e muito mais simplesmente por não ter os mesmos gostos que a maioria das pessoas ao redor.

É como se fosse necessário para viver em grupo, que nós tivéssemos os mesmos gostos e costumes.
Durante um bom tempo da minha vida pensei assim. Fazia coisas que não estava muito afim, ia a lugares que não era do meu interesse e tentava apreciar o que a maioria apreciava.

Sabe aquele pagodão, aquele funk nervoso, aquela micareta que todo mundo tenta te arrastar, aquela boate que todos dançam e se pegam até de manhã?! Pois é, eu tentei. Tentei e não me via ali, mas o medo de ficar sozinho me pressionava em continuar. Queria ser visto como uma pessoa boa, como um cara legal e pensava que fazendo isso, faria parte do grupo. No entanto, mesmo fazendo isso, minha personalidade era mais forte e eu nunca conseguia realmente fazer parte daquilo.

Com o tempo, fui me entendendo. Eu realmente era diferente daquilo ali. Não curtia aquilo. Queria ter amigos, queria ter um grupo, mas não queria mais me submeter a isso.
Na dificuldade de encontrar, aprendi a conviver comigo mesmo e com o tempo, o que era medo virou algo agradável. Ficar sozinho hoje para mim não é uma coisa ruim. Hoje consigo me manter em pé e seguir em frente por mim mesmo e isso é ótimo porque não ficar sozinho agora vai ser uma questão de escolha e não de necessidade, como é para a maioria.

Aprendi a enxergar o que as pessoas são realmente e não gostar simplesmente quando ela tem uma imagem boa.
Hoje eu considero ser diferente da maioria um privilégio, porque me faz entender realmente como as pessoas são e o que realmente eu quero ser.

Se não tem ninguém que me entenda, nada melhor do que sentar na frente de um computador, ou mesmo pegar um caderno velho, beber um vinho e jogar os pensamentos para fora, sem me preocupar com críticas ou sugestões, uma vez que quem vai julgar sou eu mesmo.

Esse pensamento me fez enxergar no meio da maioria, pessoas incríveis que eram ofuscadas. Pessoas ótimas, com mente aberta, que adoram um diálogo racional, atual, o que me anima sempre. Lembro-me da Adriana Calcanhotto citar em seu DVD que ela gostava de lavar louça e que havia visto uma entrevista do Caetano Veloso dizendo o mesmo e que isso a fez se sentir melhor porque não estava sozinha no mundo. De fato, a sensação de não estar sozinho no mundo é sempre reconfortante.

Claro que isso pode trazer alguns problemas. Comigo, por exemplo, tenho uma dificuldade muito grande de expor tudo o que penso e sinto. Me fecho para o mundo muitas vezes, mas mesmo entendendo que isso pode me prejudicar, ainda sim vejo como algo positivo.

Hoje vou aos eventos que gosto, mesmo que sozinho. Shows, barzinho ou até mesmo ir a uma livraria são coisas que a maioria sente a necessidade de ter alguém do lado, mas eu não. O gosto de ser independente é indescritível.


Essa lição me mostrou que não preciso depender de alguém para fazer algo. É claro que gosto de amigos. Valorizo muito os amigos que tenho e quero ter cada vez mais, mas para isso eles terão de gostar de mim pelo que eu sou e não pelo que pareço ser.

Créditos da imagem: When In Doubt… Be Different - Mark

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