Na medida em que Iludido envelhecia, sentia que a realização
de seus sonhos estavam perto.
Passou a vida toda se colocando à disposição da chegada de
seu sonho, abrindo mão de tudo.
A cada dia foi se preparando para recebê-lo, se livrando de
cada ocupação que poderia lhe tirar o foco.
Buscava força na sua esperança para se manter firme diante
de todos os comentários contrários a essa ideia, se apoiando nas palavras dos
poucos que estavam ao seu lado.
Assim foi e é Iludido. Uma pessoa que se fechou para o
mundo, acreditando que somente ele e quem está a favor da sua ideia estavam
certos.
Negou-se a acreditar
no contrário e a ouvir qualquer comentário contra isso, externando todo seu
rancor e raiva diante desse contexto.
A única coisa que esteve contra ele e que ele não pode
mudar, foi o tempo, mas mesmo assim o ignorou de forma a parar completamente,
como se estivesse em uma fenda no espaço-tempo, acreditando que iria continuar
a sua vida logo após o sonho ocorrer.
O tempo passou e Iludido ainda se encontra dessa forma. As
oportunidades foram embora com o imparável tempo, que em sua crueldade não
permitiu até hoje o sonho se realizar.
Em um momento de fraqueza um dia, após anos de ilusão,
sonhou que estava diante de um precipício, de frente a um homem de capuz que
acreditou ser Deus. Sua esperança era de que Deus finalmente olhou para ele: -
"O senhor é Deus? Finalmente chegou minha hora de ser feliz?” Indagou Iludido, recebendo a seguinte resposta:
"Não, não sou. Sou aquele que você nunca se preocupou.
Aquele que você ignorou pelo seu egoísmo de achar que o seu sonho era mais
importante que eu. Vim lhe dizer que seu sonho sempre esteve a seu alcance
enquanto eu estava com você, mas somente se você estivesse comigo. Eu sou a sua
vida, o seu tempo. Eu sou você."
Neste momento, ele levanta o seu capuz e se mostra como
sendo o próprio Iludido, com uma aparência de um idoso, a beira da morte.
Ao acordar entrou em prantos, se encontrou em desespero e, não
aguentando todos esses sentimentos que tanto evitou, optou por acreditar que o
seu sonho ainda virá, que aquilo seria influência de algo contra sua crença, e
se coloca mais uma vez, a espera do sonho. O Iludido se tornou viciado na
ilusão.
Se não estivermos sempre atentos às nossas
idéias, aos nossos costumes, podemos estar cultivando algo que depois não
conseguiremos largar.
Assim como uma droga, há coisas que causam uma dependência
tão forte que, se não ficarmos atentos, não nos permitimos nos abrir às novas
ideias, poderemos ser incapazes de largar, incapazes de mudar.
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